terça-feira, fevereiro 28
Quem mais poderia ser?
Não foi apenas o gosto do teu beijo - beijo sabor mocaccino - que ficou palpitando em minha boca, foi também o sentimento que, confuso e ao mesmo tempo intenso, se propôs a exibir seu potencial.
A presença, a distância;
O sorriso, o desespero;
A briga, a reconciliação;
A certeza, a dúvida;
Dentre esses e outros contrastes, o que mais me provoca é: o que tive e ao mesmo tempo não tinha, o que agora não tenho e sempre sonhei ter: você.
segunda-feira, janeiro 23
Elas, às vezes educadas, às vezes eufóricas, resolveram mandar em mim.
Depois desta experiência, por alguns anos, os blogs ficaram esquecidos. O blog de fã-clube acabou, assim como a adoração ao ídolo também. O blog pessoal... bem, esse eu encontro às vezes ao pesquisar dados pessoais na internet. Quando o vejo, reajo da mesma maneira como quando lemos um diário antigo: Como pude pensar dessa forma? Gostar destas músicas? Curtir esses hábitos? Bom, sei que todo esse ciclo foi importante para estabelecer a pessoa que sou hoje. Se me questiono, é porque mudei. Se mudei, é porque pretendo evoluir. Se evoluo... bom, isso é bastante relativo e me abstenho em discutir a esse respeito por agora.
Fato é que, depois de anos, antes de ingressar na graduação em Jornalismo, no ano de 2010, coloquei este blog no ar. Fui assídua por alguns meses. Na verdade, por mais de um ano, até que as palavras começaram a sumir. Na verdade, elas ainda existem e estão cada vez mais abundantes, a questão é que, assim como quando adolescente, já não sei a melhor forma de expressá-las.
Às vezes, tomo coragem. Tenho uma ideia, corro ao blog, escrevo muito em pouco tempo e ... não publico. As palavras existem, querem viver, querem deixar de existir apenas em minha mente, mas, quando colocadas nesta caixa de texto, parecem se satisfazer. A euforia que antes tinham em aparecer morre. Não querem ser publicadas, nem mesmo lida por outras pessoas.
Hoje, não sei por que motivo, elas resolveram mudar de opinião. Não as considerei tão belas desta vez, embora também não sejam ruins. Acontece que as melhores têm se escondido. Talvez elas ainda precisem de reparo, talvez sejam tão exigentes consigo mesmas que ainda desejam ser melhor reformuladas para então, sim, desfilarem lindas pelas linhas dos parágrafos.
Enquanto isso, aguardo pela vontade delas.
E agora obedeço àquelas que me mandaram clicar em "publicar postagem".
quinta-feira, janeiro 19
Não vivo neste espaço.
tudo o que acontece me toca.passa a fazer parte de mim
o filme a que assisto
a voz que ouço
todos, juntos, secretos e intensos
tudo o que me toca me modifica
passa a acrescentar em mim
o preconceito que quebro
a coragem que adquiro
cada um, no seu lugar, firme e forte
tudo o que me indigna me repugna
passa a ser um excesso dentro de mim
a conversa mal resolvida
o gesto de desdém
desgostosos ao todo, apertados, entalados
tudo o que me faz bem me alegra
passa a trazer porpurinas para mim
o encontro fugido
o olhar sinuoso
tomam conta, me devoram, me reinventam
segunda-feira, outubro 10
Das Ciências Exatas Às Ciências Psíquicas
Lançada há 10 anos, Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind) é uma readaptação cinematográfica baseada no livro homônimo de Sylvia Nasar. Dirigida por Ron Howard, conta a história de vida do matemático John Forbes Nash. O filme se difere ao não focar sua atenção apenas no desenvolvimento de uma biografia. Objetiva também exibir uma narrativa complexa e capaz de envolver o público. Tal complexidade nasce ao mostrar como é possível passar de um nível psicológico estável para um patamar em que se obtém o diagnóstico de uma das doenças psíquicas mais dignas de discussão, a esquizofrenia.
Sendo traduzida do grego como "a união entre o corpo e a alma", a esquizofrenia é um transtorno mental que pode ser identificado quando o indivíduo passa a ter alucinações, delírios e alterações de pensamento. Em contrapartida, pacientes esquizofrênicos geralmente possuem capacidade intelectual superior a das outras pessoas.
Em Uma Mente Brilhante, esta característica se faz presente quando John Nash, interpretado por Russell Crowe, obtém destaque no meio acadêmico ao formular um teorema de influência significante para as ciências exatas. No entanto, no decorrer do trama, John Nash passa a apresentar os sintomas negativos da doença.
Enquanto estuda na Universidade, o personagem acredita ter um colega de quarto, no entanto, por observação de seu psquiatra e de sua esposa, descobre que este companheiro nunca existiu. Para John, se torna difícil acreditar que uma pessoa em quem confiou durante anos, na verdade, não existe. Em razão disso, ingressa em um conflito ainda maior: saber discernir o que é formação apenas de sua imaginação e o que faz parte do mundo real.
A trama não se resume em tratar de uma doença. Além do desespero vivido pelo personagem, que chega a ser internado em razão de seu tratamento, há cenas que apresentam a sua readaptação ao convívio social, o que irá lhe garantir futuras conquistas.
Um longa-metragem premiado no Oscar nas categorias de melhores filme, roteiro adaptativo, diretor e atriz coadjuvante é uma boa opção para ser revista. Trata-se da análise da vida de um homem portador de uma aptidão intelectual admirável e de uma habilidade suscetível, capaz de superar um transtorno para continuar produzindo importantes trabalhos matemáticos.
quinta-feira, setembro 15
Um Doce de Sabor Singular
Voltei a agir da mesma maneira como quando criança. Ganho balas, biscoitos e outras guloseimas. Guardo-os em uma caixa, em meu quarto, e, quando procuro por eles, já não são mais válidos, estão podres. Minha boa intenção em conservá-los, ao contrário de mantê-los disponíveis por mais tempo, acaba por destruí-los. Minhas mãos, que antes os levavam com carinho até a caixa, agora precisam guardá-los com tristeza no lixo.
Minha vizinha teve atitude semelhante durante alguns anos. A diferença é que seu esquecimento não foi referente a doces, ou melhor, se referia apenas a um único doce, um doce de pessoa.
Para aliviar a infância de minha vizinha, que tinha um pai carrasco, vivia próximo dela o seu padrinho, que a fazia sorrir sempre que preciso - e quando não era preciso também. É o modelo de companheiro que Deus nos manda para que seja possível viver com mais entusiasmo. "Entusiasmo", foi essa a palavra-herança que minha colega de bairro recebeu do padrinho.
Depois de casada e com filhos, ela não encontrou tempo para visitar aquele que por anos a manteve feliz ao lhe ensinar ardor que se deve ter pelas experiências que se presenciam. Para falar a verdade, houve um dia em específico que ela separou para revê-lo. Se estava previsto pelo destino ou não, até hoje ela não sabe. O fato é que, depois de andar por horas na estrada até chegar à casa do padrinho para entregar-lhe um abraço e um bolo preparado com carinho, ela descobriu que há algum tempo ele já não morava mais naquele local.
Se com tristeza um dia carreguei meus doces ao lixo, com amargura chorou minha vizinha por não ter levado o seu padrinho, o seu doce preferido, ao lugar onde está escrito "jaz aqui um homem que deixou belas memórias por onde passou e permanece vivo no coração daqueles que tiveram a satisfação de conhecê-lo."
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Bem-vindos!
- Laura Marzullo
- Um conjunto de antíteses e uma mente apaixonada, que pulsam juntos em forma de sonhos. Graduanda em Psicologia e ex-estudante de Jornalismo na UFRGS.
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