quarta-feira, fevereiro 3

Estética X Conhecimento

   Mestres da locomoção, da sustentação e, na maior parte das vezes, os primeiros a agir em razão da ativação do sistema simpático, são tratados com indiferença. Quando avaliados segundo valores estéticos, são julgados não interessantes, ou, coloquialmente falando, "feios". Nossos pés podem não ter um aspecto gracioso frente à nossa visão, mas sabemos que desempenham  imensa importância no dia a dia.
   Não é surpresa observar o quanto somos influenciados a sentenciar que o conceito de útil se assemelha ao de belo. Seja pelo julgamento de Platão ao conceituar belo como uma construção harmoniosa das formas ou mesmo por Darwin que, segundo suas experiências, comprovou que a beleza é essencial para a evolução e para a perpetuação da espécie, a beleza física se estruturou, em nosso meio, em forma de realeza absoluta. O que mais buscamos são rostinhos apreciáveis. Desde uma navegação no orkut até a conquista de um emprego, ela demonstra sua hegemonia.
   O mais interessante é que imputamos toda  culpa desta avaliação apenas à indústria cultural. Não compreendemos que, em um simples diálogo com desconhecidos, temos a inclinação a observar que indivíduos com melhores aspectos físicos são os mais propícios a que criemos um vínculo de amizade. Fato é, pessoas mais reconhecidas pela beleza física são também as mais privilegiadas com os melhores salários.
   Beleza é sim um vetor a ser observado, seja para que tenhamos um boa apresentação frente a uma avaliação profissional ou mesmo para o jogo da conquista, pois demonstra que , primeiramente, cuidamos de nós mesmos e, além disso, possuímos um grau de organização considerável. O perigo se faz presente quando ela deixa de ser um fator para ser o fator.
   Pesquisas comprovam que, para cada biblioteca instalada nas cidades, há dez salões de beleza. Ainda assim, sou obrigada a me questionar em relação a este resultado, já que acredito que a diferença seja ainda maior. De qualquer forma, fica visível que nos esquecemos de que a beleza é necessária em uma primeira ocasião, contudo seremos reconhecidos pelo que permanece sempre presente e, neste momento, resgatamos o elemento conhecimento.
   Em todas relações interpessoais, é admirável quando nos surpreendemos pela sabedoria de um indivíduo em detrimento dos outros com quem convive. Quando alguém consegue se destacar em vista de uma perpétua procura pelo saber mais sobre o mundo em que vive e o que nele ocorre a cada momento, há chances imensas de que ele seja um grande líder e, mais do que isso, seja uma pessoa realizada consigo mesma.
   A beleza, conforme nos afastamos da juventude, tem a propensão a ser disseminada; já o conhecimento de um cidadão, como dizia a  vovó, nunca poderá ser roubado e esse sim deve ser aquele que reina em todos os momentos de nossa evolução.
   Interessante será o momento em que conseguirmos observar nossos pés e os avaliarmos por cada momento em que são capazes de nos satisfazerem mediante nossas exigências cotidianas a apenas os reprimirmos por não corresponderem em relação a uma imagem pronta do que eles deveriam ser para que nos agradassem. Lutemos pelo que permanece, por aquilo que nos mantém como constantes aprendizes.

7 comentários:

Rita Benitez disse...

Ela pediu tanto, que vou comentar.
Achei muito, criativo. É um testo q me fez refletir o quão levo minha beleza exterior a sério, quando terminei de ler, parei para pensar e percebi que o que tem valor mesmo, não é a beleza, e sim o conhecimento q consigo, com a vida e com leitura. e se, um dia voce para pra conversar com uma pessoa ''bonita e não previlegiada'' com o conhecimento, vai perceber
*depois de 10 min de conversa, q papear talvez com um Nerd é muito mais agradavel.
:P pode ser até estranho eu escrever isso, mas é a pura verdade...
Então apartir de hoje somente me relacionarei com pessoas FEIAS!
haha garanto a todos, que sera muito mais agradavel a conviver com essas pessoas por muito tempo :P


Hug kisses a todos como diz meu caro amigo lucas. RITA BENITEZ

Vinicius Oliveira disse...

muito bom esse texto, por isso é bom ter uma pessoa ao lado que seja bonita e inteligente, que ai fica aliada essas duas coisas

http://viniciusoliveiraa.blogspot.com/ comenta no meu?

Lucas disse...

OI ERMÃ!
vose iscreve muinto bem!!!11!1
rs

Estética e conhecimento são duas atribuições importantes nos indivíduos, mas creio que não são conflitantes, como demonstra esse "X". Feios, bonitos, inteligentes e burros, todas as combinações existem, e todos - cada um do seu jeito - podem ser felizes.
Ainda assim, é só meu comentário. Teu texto é excelente; se eu tivesse um jornal, te contratava =)
Vai lá, bixette! Tu tens essas as duas características que tu mesma ressaltas: beleza e inteligência. Tens futuro!
Huge kiss ;)

Theldo disse...

Nem preciso dizer q adorei o texto neh.
Mantém..Mantém e espero um dia ver um texto teu falando sobre os militares corajosos do E.B
UHEUHEHUEUHEUHE..(F)

Clauderlan Vilela disse...

Obrigado por visitar "Reflexões de um olhar".
Sua presença é sempre bem vinda.

Ah, contrariando a lógica, eu gosto do meu pé.
Digo, inclusive, esteticamente.

Parabéns pela aprovação!
E parabéns pela bagagem que você possui antes mesmo da jornada universitária (o que é perceptível em seus textos)!

Bem vinda, companheira blogueira! Te desejo tudo de bom.

Anderson Massolino disse...

no tempo da monarquia se admirava a sabedoria e o conhecimento,hoje em dia se dá muito valor ao culto da beleza fisica.
as pessoas estão obcecadas com a necessidade de ser lindo(a),magro(a) e saudável.
nunca a beleza foi tão imperativa quanto é hoje.
e com relação a pesquisa,eu não duvido nada,cada quadra que se anda sempre tem uma estética,hehehe.
abração

Anônimo disse...

só tenho a dizer que esse texto é excelente!!
retrata realmente como nossa sociedade trata o ser humano como ser individual, valendo-se de aparências. Mas beleza não é eterna!!
e cabe ressaltar quanta falta faz a cultura numa sociedade que se vale de simples aparencias!

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Um conjunto de antíteses e uma mente apaixonada, que pulsam juntos em forma de sonhos. Graduanda em Psicologia e ex-estudante de Jornalismo na UFRGS.

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