quarta-feira, fevereiro 16

Em meio a oscilações...

Em meio a oscilações...
Perdeu-se a sintonia, restou-me o ruído.


Nem tudo poderá ser transmitido atráves das palavras que me virão à memória, todavia buscarei recuperar aquelas que, por algum momento, já passaram por minha mente.
Não quero mais estar contigo, sair ao teu lado.
Tenho medo de tornar-me um monstro.
Já não sinto paz desde que contigo estou.
Sinto que engano a mim mesma.
Por ser novidade, não soube como lidar. Acreditei ser mais um caminho existente, e não um caminho completamente contrário ao meu.
Somos diferentes, totalmente diferentes. Não consigo e já não quero mais me adaptar ao que tu és. Ao contrário disso, quero distância de pessoas que vivem como tu. Pessoas que se preocupam apenas com influências ao ponto de já não mais se entregarem, ao ponto de tratarem pessoas como seus objetos.
Entendi seu jogo. Não só entendi, como ingressei nele. Ingressei e, mesmo sendo novata, obtive vantagens. Virei o jogo, passei para o outro lado do tabuleiro.
Sabe qual é o problema? Não gostei de ocupar este lugar. Diferente do que sentir o gosto da vitória, senti o da derrota. Derrota por estar onde não devia, por precisar de artimanhas que não são as minhas.
Não desejo permanecer neste jogo, embora tenha consciência de que ele passa a ser um vício. Parte da adrenalina já está presente em minhas veias. É ela que ainda me impede de fugir daqui. 
Não nego que ela é deliciosa, mentiria se o fizesse. Foi bom, suficientemente bom para que eu me envolvesse. O mistério sempre é fascinante. Porém, perde seu potencial quando reconhecemos seus segredos, suas magias.
Passei a já não ter a mesma alegria ao te observar. Nem mesmo ao ouvir tua voz.
Surpreendo-me com tamanho desaponto de minha parte, pois imaginei que permaneceria entregue por um tempo mais considerável do que este.
Por maior que seja teu carinho para comigo, por mais que estejas deixando tua verdadeira essência (ou falta de essência) para ter minha presença ao teu lado, já não acredito em suas palavras. Ou melhor, creio nelas, creio com toda minha força. És experiente e sabe orientá-las da melhor forma.
Mas entendes que existe um empecilho? Não creio na imagem que existe por trás delas. São totalmente falsas. São imagens pré-orientadas por ti mesmo conforme surgem teus interesses. Passas a mover tudo com ego de poder, de sedução. Talvez não tenhas culpas, sempre fostes assim. Não te culpo por tamanha bravura e nem mesmo exijo que abras mão dela. Só não espero que evoluas ao meu lado.
Não me interpretes mal, pois não guardo rancores. Vejo que,  como uma das boas experiências anteriores, esta também serviu para crescimento. 
Não sei se te amei. Na verdade, penso que sim. Apenas penso, sabe por quê? Durante este período, me esqueci do que é ter a certeza de um sentimento, foi assim que me fizeste viver. 
O que procuro é a redescoberta do que realmente é verdadeiro. E embora teu mundo confesse que o verdadeiro é utopia, é por ela mesma que eu busco. Isto mesmo, desejo UTOPIA! Tu jamais entenderias, chamar-me-ias louca, iludida. Mas acredite, descobrir o que há por trás do desconhecido é o melhor prazer que se pode ter.
Foi essa a esperança que mantive por muito tempo. Queria ver-te descobrindo este mundo. Sinto muito, não fui capaz. 
Se a utopia que me aguarda simpatizar contigo, talvez ela, algum dia, tragas-te de volta para mim. Desta vez, será possível que me interpretes como devido. E caso esta ocasião não se torne concreta, serei feliz por ver-me sem as algemas desta paixão que ingressei por acaso.


Abraços sinceros.
De quem, contigo, sempre foi sincera.


Laura Marzullo dos Santos

6 comentários:

Irma disse...

Parabéns p/texto!!!!!!!!
Você ganhou de você mesma Laurinha....
UTOPIA - Thomás Mórus ..., ñ vale o tempo q se gasta p/ler ... pq afinal ,como o nome mesmo diz..... mas às vezes é preciso ver para crer.. bjo

Isadoora disse...

Parabéns, gostei do texto.
Continue a escrever sempre, não há sensação melhor xD

Jônatha Bittencourt disse...

Olha, Laurinha, preciso me conter aqui para não acabar escrevendo um texto da extensão do teu ai comentá-lo... Cada palavra está suavemente ligada à harmonia deste texto, desta arte.

Concluo destacando, suavemente - sem agredir o sentimento de elevação que o texto num todo apresenta -, um trecho que foi profundo para mim, fazendo referência a um poema de Mario Quintana:

"Descobrir o que há por trás do desconhecido é o melhor prazer que se pode ter."

O Adolescente

A vida é tão bela que chega a dar medo.
Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita, mas esse
medo fascinante e fremente de curiosidade que
faz o jovem felino seguir para a frente farejando
o vento ao sair, a primeira vez, da gruta.
Medo que ofusca: luz!
Cumplicemente,
as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo:
Adolescente, olha! A vida é nova...
A vida é nova e anda nua
vestida apenas com o teu desejo!

Mario Quintana

Roberta Veloso disse...

"O que procuro é a redescoberta do que realmente é verdadeiro."
Lindo texto!
Parabéns pelo blog! Dei uma lidinha em outras coisas aqui e gostei muito!
De tudo!
Parabéns

Anderson Massolino disse...

não sei se já li um texto tão verdadeiro como esse,acho q nem as autobiografias são tão verdadeiras como as palavras que você escreve,parabéns!!!

reflexoeshomeopaticas disse...

Uau...

Tantas referências para se identificar, mesmo sendo um texto de desabafo, que apenas tu sentiu e apenas tu entende plenamente...

Ainda assim, transmite muito bem o que tava no teu interior na hora. Faz realmente sentir, muito.

E dá vontade de tornar público os textos e as histórias semelhantes que existem no passado do leitor

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Um conjunto de antíteses e uma mente apaixonada, que pulsam juntos em forma de sonhos. Graduanda em Psicologia e ex-estudante de Jornalismo na UFRGS.

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