terça-feira, fevereiro 19

Sem Parágrafos, com Minha Vida


Acho agradável estar em uma banheira de hidromassagem, mas não gosto tanto quanto a maior parte das pessoas. Tenho costume de listar em ordem decrescente de tamanho os nomes dos meus filmes preferidos. Gostaria de ter lido mais quando criança e de ter sido menos careta na adolescência. Morro de rir quando pulo em uma cama elástica. Gosto de usar meias masculinas. Amigos são essenciais para minha felicidade. Emocionada, já derramei lágrimas fazendo sexo e ri da situação. Tenho apreciação pela cor verde e, frequentemente, me comparo a um avestruz. Admito ter medo da morte de entes queridos. Prezo pela palavra "superação". Possuo dificuldade para memorizar dados e me sinto triste por isso. Já brigaram comigo porque, ao invés de aproveitar um viagem, quis dormir. Me chamam de judia porque não compro à vista, se não ganho desconto. Estimo muito voltar ao Rio de Janeiro e conferir se ele continua lindo. Tenho grande propensão a amar pessoas que me fazem mudar de opinião. Gosto de filosofar, principalmente à noite, antes de dormir. Não digo que não gosto, quando nunca fiz/experimentei. Tenho curiosidade de conhecer o máximo possível de ceitas, culturas e religiões. Dou importância a valores do "tempo da vovó". Ao mesmo tempo, me proponho sempre a mudar minha forma de pensar, desde que perceba ser positivo. Condicionais, como na última frase, costumo utilizar e, por isso, sou taxada por alguns como chata e, por outros, como racional. Em contraste, sou bastante emotiva. Expresso quando amo, choro quando sofro, elogio quando julgo merecido. Nunca pintei o cabelo. Gosto de altura e desejo saltar de pára-quedas. Ainda não bebi tequila. Por anos, fiquei desapontada por ter parado com as aulas de ballet e hoje fico muito contente com as aulas da dança de salão. Queria mais tempo para experimentar todas as possibilidades, para nascer em outros lugares, para ouvir outras músicas, para obter outros conhecimentos, para beijar outras bocas. Sou apaixonada por pessoas. Adoro saber mais sobre como pensam, quais são seus anseios e mágoas, quais foram suas grandes experiências. Já saltei de uma cachoeira de 15m de altura. Aprendo com os erros dos outros. Sinto bastante sono. Ouço ópera e também forró. Prefiro suco a refrigerante. Costumo ser um pai para meus irmãos. Já dancei em um estádio lotado com 63 mil expectadores. Emocionei-me na primeira vez em que entrei em uma redação de jornal. Quebrei o braço quando tinha 7 anos porque pensava ser um ninja e andei em cima do muro com um saco na cabeça. Dou importância a detalhes e, às vezes, saio na rua e vejo tudo com outros olhos; faço literatura; escrevo em minha própria mente por alguns minutos; não coloco no papel. Quando estou em um shopping, gosto de sentar na praça de alimentação para prestar atenção no comportamento e nas características dos indivíduos com objetivo de imaginar como são em seus cotidianos. Sinto falta de uma cadela que doei quando meus pais precisaram mudar de cidade. Fiz aula de inglês apenas aos 18 anos. Adquiri minha independência financeira aos 20. Já me disseram que não amo porque não sinto ciúmes. Fico chateada porque as baterias de todos os celulares que tive sempre viciam. Apreciaria se minha mãe fosse menos passiva e, meu pai, menos negativo. Já bati na cara de um homem e me impressionei comigo mesma por isso. Sou gaúcha, mas não sou obsessiva por chimarrão. Aprecio unhas bem arrumadas, mas poucas vezes estou com as minhas pintadas. Já tentei tocar violão, mas meus dedos doeram e eu desisti da ideia. Já deixei muitos livros lidos pela metade. Não separo a matemática da literatura, nem a filosofia da química, nem a geografia da religião. Gosto de compartilhar bons textos e vídeos interessantes com meu namorado. Fiz coleção de cartões telefônicos quando pequena. Já fui ao show de um ídolo e pensei que iria casar com ele. Quero aprender mais sobre o cérebro, suas funções e mistérios. Sinto falta de marchar, de usar uniforme e de prestar continência. Tenho esperança no ser humano e considero que sempre podemos ser melhores. Me irrito com erros de português, portanto, se cometi algum neste texto, peço desculpas.
quarta-feira, outubro 17

A Dor do Desapego


     Depois de passados anos em que a humanidade se utilizou dos bens naturais para seu próprio benefício, chegou o período em que cada vez mais temos a palavra "preservação" presente em nossos dias. Em razão desta conscientização, hoje nos preocupamos com a natureza e com os animais. Não percebemos, por outro lado, que mesmo que não fizéssemos uso das matérias vivas e não vivas do meio ambiente, ainda assim haveria a extinção de espécies.
     Já no século XIX, depois de realizar uma viagem de 5 anos ao redor do mundo, Charles Darwin trouxe à tona a teoria da Seleção Natural e comprovou a evolução das variedades. Desde então, ficou sabido que ainda que o homem não interfira no ecossistema - devido a inúmeros fatores geográficos como temperatura, relevo e precipitações - ele irá sofrer alterações e os animais que fazem parte dele também. Eles podem, assim, desaparecer, entrando em extinção.
     O sentimento de preservação que o ser humano possui seja em relação à natureza, a fatos históricos ou a um brinde que recebemos em um evento e que insistimos em guardar por anos nos gaveteiros de nossas casas também se aplica quando a questão em jogo é o amor.
     Depois de ingressarmos em um relacionamento e investirmos nele, ainda que não seja sadio, insistimos em levar o romance adiante. Não sabemos dizer "não" porque assim como não estamos dispostos a deixar que espécies animais sejam extintas para nos apegarmos a outras, também não acreditamos que conhecer uma outra pessoa nos será benéfico. 
     Não queremos aceitar, no fundo, que depois de passarmos por diversas adaptações para vivermos junto a quem amamos, seremos capazes de conviver, novamente, com os trejeitos, as manias, os gostos e a personalidade de um outro alguém.
     O ser humano anseia por segurança e esta necessidade faz bem a ele, pois lhe gera confiança pessoal. Por outro lado, o comodismo não o faz. E conhecer a linha entre esses dois fatores é um exercício que deve fazer parte do nosso cotidiano.
quarta-feira, setembro 26

Suposições Profissionais

E se...

Antes de trabalharmos com o que trabalhamos, especulamos atuar nas carreiras mais diversas.

É curioso quando alguém nos fala:

- Tinha dúvida entre agronomia, direito e computação.

E mais curioso ainda quando dizemos:

- Nossa, um curso mais diferente do outro!

Sendo que o que mais predomina são as dúvidas entre os extremos, e não entre os semelhantes.

Cada ser humano viveu experiências das mais variadas que o levaram a ter capacidades múltiplas. É por isso que nossos hobbies costumam ser o oposto das nossas profissões.

Uma das sensações mais interessantes é quando conversamos com um profissional de uma área que decidimos não seguir. 

O escritor que precisou escolher entre odontologia e literatura, quando visita um dentista, observa todas suas ações.
Imagina-se de jaleco e máscara brancos, manuseando pinças, sondas e espátulas. Teria ele, também, tamanho talento? Conseguiria conquistar pacientes? Quem sabe não foi um erro optar pelas letras. Poderia hoje ter, ao invés de dois livros publicados, uma mansão no interior de sua cidade natal. Como seria sua rotina?
Ao final da consulta, ele sabe que eram apenas suposições. Embora tenha pensado em outras possibilidades, está contente com suas escolhas, pois tem consciência de que não teria a capacidade de mexer nas bocas mais distintas em seu dia a dia. Para ele, fungos, vírus e bactérias, só se forem os ácaros da sua coleção de livros.

Outra sensação mais interessante ainda é a de quando essa conformação não acontece.

Há profissionais que são tão bons que nos provocam a vontade de também estarmos no lugar deles. Eles renovam em nós mesmos o ânimo que um dia existiu para exercer aquela carreira. A firmeza que utilizam para falar sobre seus cotidianos, suas realizações e descobertas fascinam. Existe, mesmo que por segundos, o anseio de largar todos os nossos planos para também sermos como eles.
Essa necessidade nos ocorre porque, naquele instante, sentimos que poderíamos ser tão bons quanto eles ou ainda melhores. Apenas não fomos em razão de fatos da vida, que nos levaram a esquecer de que também tínhamos tal capacidade.

Nestes pensamentos, imaginações e dúvidas é que reside o gosto pela vida.

Escolher é um verbo pesado. Decepção é um substantivo triste. E renovação é uma palavra que deve estar sempre presente.
terça-feira, setembro 25

É preciso aprender a sofrer

É preciso aprender a sofrer e fazer do sofrimento um aprendizado ou, quando possível, um amuleto.
Quem não conhece um homem feio, baixinho e confiante?
Aquele homem para quem você olha e se pergunta: como ele pode ter tantas mulheres lindas e inteligentes ao seu redor?
Mas há, também, muitos homens feios, baixinhos e tristes.
Esses, por outro lado, deixaram o desafio lhes superar.

Quando falo em desafio, não me refiro apenas aos de aparência, mas a todos aqueles que podem corromper o ser humano.
Os desafios existem para nos fazer evoluir. No entanto, crescer ou não é uma escolha própria. Há quem evolua e há quem se destrua, quem plante as próprias frustrações, tornando-se um amargurado.

Você conhece o discurso de uma pessoa fracassada e, portanto, infeliz? Ele começa por meio de justificativas. O sujeito procura, em todo o tempo, explicar o porquê de não ter conseguido, alcançado, amado.

Já a pessoa confiante, por outro lado, frequentemente fala sobre suas falhas. Ela não tem vergonha em exibi-las, pois sabe que muitas delas foram o motivo principal que as levou a ser um ser humano admirável. E, por isso, a todo o momento essa pessoa costuma analisar a si mesma, a fim de ser, cada vez mais, melhor.

No amor, por exemplo, um sujeito fracassado costuma não dar valor a si mesmo. Ele apenas procura.
Procura e, logo que encontra, namora.
Namora porque precisa prender, segurar. Do contrário, acredita que ficará sozinho.
Ele acredita que nasceu na família errada, que seu pai não lhe ensinou como tratar uma mulher. Ou diz que não tem um bom papo, que não é engraçado. Ou que faltou a algumas aulas na academia. Desculpas não faltam. A cada mulher que encontra é uma nova paixão que nasce.

O homem charmoso, por sua vez, esbanja de amor próprio. Conhece muitas, convida poucas para sair e escolhe pouquíssimas para amar. Seu objetivo está em alcançar qualidade. Ele é curioso e deseja saber se a morena tem o abraço melhor do que a ruiva ou se a arquiteta é mais inteligente do que a fisioterapeuta.
Ele demora para se apaixonar, mas é a paixão de muitas delas. Todas gostariam de estar ao seu lado.

Este último homem, diferente do que o homem anterior imagina, também teve inúmeros problemas. Uma de suas ex namoradas o traiu e ele, ao invés de se sentir o coitado, se sentiu o privilegiado. Não ficou ao lado de uma pessoa falsa e encontrou outra melhor.

O homem, a mulher, enfim, o indivíduo confiante sabe sofrer. Ele também chora, claro. Chora bastante, inclusive. Ele respeita sua dor. E também sua vitória. Ele analisa os momentos de dificuldade como oportunidade de evolução. Diz que os elogios que hoje recebe por ser um bom administrador são fruto de sua infância, época em que seus pais não tinham dinheiro e ele precisava poupar. Ele não se envergonha da falta, mas se orgulha do aprendizado.
terça-feira, junho 12

Idas e Vindas


Tenho vergonha. Vergonha da minha instabilidade amorosa. Minha dúvida, no entanto, não se apresenta por ser preciso escolher um entre vários. Mas porque preciso aprender a aceitar os vários que tenho em um. Exigente como sou, não me detive em prolongar os minutos de minha oração ao elaborar, durante o período fervoroso que passei na igreja no decorrer da adolescência, uma lista de características básicas que um homem deveria ter para ser denominado namorado. A lista, então, foi criada. Por outro lado, acreditar que uma única pessoa seria repleta de todas aquelas características – a meu ver, qualidades - seria audácia demais de minha parte. E aquele que alcançou este posto em minha vida há mais de um ano, surpreendentemente, completou todos os requisitos. Os requisitos necessários e outros que vieram juntos como brindes. Nesse caso, porém, os brindes não se traduziram tais como aqueles presentes que a gente ganha como plus ao comprar um produto que está em promoção. Eles acompanharam todo aquele conjunto maravilhoso de namorado que sempre imaginei, mas sua função era um tanto quanto desafiadora: saber se o que havia entre nós era amor ou paixão.

Como eu desejava, ele é inteligente. 

Gosta de discutir sobre cinema e também sobre tecnologia. Porém adora efeitos especiais e é fã de iOS, enquanto eu me impressiono com um enredo bem elaborado e aprecio o Android.


Ele é, como eu sempre quis, engraçado.
Seja onde ou com quem estiver - conversando com um coronel do Exército no sul do país ou sendo atendido por um vendedor do Mercado Público no nordeste - ele é sempre capaz de elaborar uma piada apropriada. Porém não perde a oportunidade de me provocar uma cara de desgosto, ao soltar um de seus comentários inconvenientes (que ele considera extremamente divertidos), quando, na verdade, o que eu mais desejava era um beijo, acompanhado de um toque e de um sussurro no ouvido, que me fizessem sentir a mulher mais desejada naquele momento.


Ele sabe, como considerei importante desde a infância, dançar.
Em qualquer festa, passa a ser o centro das atenções ao exibir inúmeros passos e técnicas. Eu, por outro lado, sempre apreciei o estilo contemporâneo. Gosto de uma dança simples e bastante envolvente.


Ele ama, assim como eu, falar e falar.
Faça chuva, faça sol, o diálogo permanece. Conversamos durante horas e o assunto nunca esgota. Falamos sobre fatos do dia a dia, fazemos as vezes de psicólogos ao avaliar personalidades, discutimos sobre como podemos ajudar um conhecido que vive um período conturbado, decidimos a que evento iremos naquela sexta-feira em que todos os amigos decidiram marcar festas em locais diferentes, e em horários idênticos. Enfim, temas não nos faltam. O que nos falta, na verdade, é tempo. Sem que percebamos, já são cinco horas da manhã de domingo e precisamos acordar cedo no outro dia. Resta-nos uma cara de zumbi durante toda a segunda-feira.


O atributo de companheirismo, como solicitado em minha oração, ele tem.
Desde sempre, deu-se bem com todos os meus amigos. Tão bem, ao ponto de também ser considerado, por eles, um amigo. No entanto, quando chega o final de semana e tomo algumas biritas, ligo para meus fiéis aliados, digo a eles que meu namorado está me batendo e que não me deixa sair de casa. Eles interpretam que, no máximo, caí um tombo quando o namorado me jogou na água fria do chuveiro e que não pensou duas vezes antes de me conter, porque eu, provavelmente, queria andar nua na rua. Depois que passa o efeito do álcool, eu percebo: eles estavam certos.


Um dos valores básicos de um bom caráter, ele tem: a humildade.
Conversa, com respeito, com empresários e empregados. Sabe apreciar um encontro em um parque e também em um bom restaurante. Contudo não viaja, caso não consiga ótimo hotel; não dorme, se não estiver de banho tomado; não se sente bem, desde que o ar condicionado esteja ligado.


Fiel ele também é.
Não deitou-se com outra mulher, nem ao menos lhe entregou um de seus beijos. Mas foi capaz de oferecer-lhes chocolates, massagens e outras vantagens e de negar, quando observei olhares de sedução, que alguma intenção havia entre os dois. Não demorou meses, nem mesmo semanas, para que, bisbilhotando suas conversas online, descobrisse que minhas desconfianças eram reais. 


A experiência de ser universitário, que sempre achei ser importante, ele conhece.
Já passou pelas graduações de engenharia da computação, física e dança. Ao todo, já deve estar há quase 10 anos no meio acadêmico. Por outro lado, a toga de formatura ele nunca usou.


Esses e outros contrastes e semelhanças são os responsáveis pela instabilidade e pela intensidade deste relacionamento. Já geraram inúmeras discussões e inúmeras conquistas. Lágrimas e sorrisos. Términos e voltas.
Diferente do que ocorre na paixão, o amor nos apresenta alguns desses conflitos, mas traz também, junto de si, a capacidade de superação.
Alguns dos elementos básicos de nossas personalidades - a capacidade de resolução de problemas dele e a paixão por aventura minha- acabam por limpar nossas mágoas e renovar os pilares de nosso sentimento. O respeito, a confiança e a admiração, embora tenham sido distorcidos ao longo deste período, permanecem como os pontos fortes.
Meus amigos, por cordialidade, ainda perguntam como estou quando observam a alteração de status de nossos perfis no facebook, mas sei que nenhum deles acredita mais em nossas brigas. Desde pequenos, todos fomos ensinados a realizar escolhas e a não expormos nossas inconstâncias quando elas ocorrem. Afinal, isto é ser adulto. Mas nós dois, mesmo que com idades de adultos, sabemos que seremos eternas crianças e, em razão disso, não hesitamos em expor nossos defeitos e limitações. Por mais paradoxo que pareça, é em razão desta transparência que amadurecemos.
Talvez, no fundo, não gostemos mesmo de um relacionamento estável. E, por isso, nos fechamos tão bem. Embora inúmeros casais não consigam suportar as eternas horas que usamos para discutir, chorar e, inclusive, sofrer; eles também nunca souberam o que é sair sem rumo na estrada e fazer, de um dia comum, um dia a ser lembrado em todos os outros. E destas experiências eu e ele temos várias para contar.

Bem-vindos!

Minha foto
Um conjunto de antíteses e uma mente apaixonada, que pulsam juntos em forma de sonhos. Graduanda em Psicologia e ex-estudante de Jornalismo na UFRGS.

Eles aprovam: